quinta-feira, 7 de março de 2013

beija- flor

Desce, desce beija-flor
vem pousar no meu ombro, amor
e me conta ao pé do ouvido
vem contar tuas feridas
que uma flor se trancou
nesse corpo, jamais desabrochou
que tu dormes nos aposentos
do desencanto floral
E que eu, sou tua vida
Sou teu som, sou Margarida

Sou teu orvalho matinal
tua morada, teu amor final
Diz pra mim beija-flor
que só serás outra vez templo
se sou tua varanda, jardim
Que sem mim é tudo irreal
Me conta tuas desventuras
pelas alturas da vida, enfim
E que nossa alma é rosa 
E nosso arco-iris é jasmim


segunda-feira, 4 de março de 2013

choro

O céu negro vem aproximar 
já sem luar, a noite em desmaio, 
primeiros raios reluzem solidão
o dia sangrando como orvalho
ardendo a dor que levou
meu amor, ilusão, eu chorei
fiquei sem dançar sob o sol 
o oceano de flores mortas
em horizonte de uma nota
coloria a triste imensidão
foi quando saudade me abateu
nascem flores chorosas
na olhar meu, no amar meu
sigo meu canto tristemente
cantando para o nada sempre
espalhado em cinzas amorosas
carregando meu calvário diário
entre livros na estante
perco o sono num instante
pois a dor é um acinte...


sábado, 2 de março de 2013

CORAÇÃO NÃO SABE MENTIR

mesmo que os mistérios do universo
se oponham ao meu corrupto querer,
o desejo de mergulhar em mar revolto
não será banido do sonho vívido
ainda que o medo da luz me fascine
como um véu que reflete o vermelho
envolvido na tez engenhosa do ser
me fale que tenha todo o cuidado
preciso me alimentar desse veneno
que ataca minha alma esfumaçada

se a espera é agonia e eternidade
meu querer está prostrado a nós
quero que venha aos meus braços
eu duelarei com meus fantasmas
espalharei flores pelo caminho
para perfumar a física universal
e as mudanças virão sim cálidas
para celebrar em ti o jeito certo
de fazer todas as coisas em cores
que enfeitam o arco-íris daqui

sei o que está lá fora, os segredos
que tua névoa entoa na razão
sem vontade de achar em mim
os desvãos em contraluz cega
e eu que através do tempo amava
sem saber quem é o descobridor
que serve a luz, os cavaleiros
que servem terras salvas do fogo
serpenteando voltas eu sirvo a ti
pois o coração não sabe mentir